terça-feira, 6 de julho de 2010

(a nova) Biblioteca de Alexandria




Inaugurada em 2002, próximo ao local da antiga biblioteca de Alexandria, uma das maiores bibliotecas do mundo antigo e fundada, segundo consta, no início do
século III a. C.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Jerusalém, de Gonçalo Tavares

Não entrei logo no livro. Foram necessárias as primeiras vinte páginas para eu não conseguir mais largar Jerusalém; a partir daí me deixei levar até à última linha quase sem pausas.



(...) "trabalhava parte do dia numa clínica do Estado e à tarde dirigia-se à biblioteca central para recolher documentação para o seu estudo que visava entender o horror e a História, e com isso os homens. Ele queria captar o conceito de saúde de uma forma mais vasta: a saúde mental da humanidade, do conjunto dos homens, a saúde mental da cidade enquanto agrupamento organizado e eficaz na restrição da violência. Conhecer a saúde mental da História, era esse o objectivo final do seu projecto de investigação."
(...)
"Se percebesse como a História pensava, se a encarasse como um organismo com cérebro, e se chegasse por via da documentação e da investigação a gráficos e fórmulas que explicassem os acontecimentos dos séculos, Theodor chegaria ao que milhares de homens - pequenos e grandes, violentos ou pacíficos - haviam tentado: dominar a História."

Jerusalém
Gonçalo M. Tavares
7ª edição
Editorial Caminho
Março de 2008
256 pp



Prémio José Saramago
Prémio LER/Millenium-BCP
Prémio Portugal Telecom de Literatura 2007

sexta-feira, 18 de junho de 2010

o pão e o livro

1922-2010

"O pão não precisa de marketing porque todos nós precisamos de comer pão. No dia em que o livro também não precisasse de marketing, esse seria o dia em que o livro estaria tornado tão necessário como o pão."

José Saramago

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Prémio Príncipe das Astúrias das Letras 2010

O escritor libanês Amin Maalouf recebeu hoje o Prêmio Príncipe das Astúrias das Letras 2010.
Nasceu em Beirute, em 1949. Sua literatura mistura história e ficção e atua como uma ponte entre Oriente e Ocidente.

"Desde que deixei o Líbano, em 1976, para me instalar em França, perguntam-me inúmeras vezes, com as melhores intenções do mundo, se me sinto 'mais francês' ou 'mais libanês'. Respondo invariavelmente: 'Um e outro!' Não por um qualquer desejo de equilíbrio ou equidade, mas porque, se respondesse de outro modo, estaria a mentir. Aquilo que faz com que eu seja eu e não outrem é o facto de me encontrar na ombreira de dois países, de duas ou três línguas, de várias tradições culturais. É precisamente isso que define a minha identidade.
(...) Esta interrogação insistente fez-me sorrir durante muito tempo. Hoje já não sorrio. Porque ela me parece reveladora de uma visão do mundo muito espalhada e, a meu ver, perigosa. (...) quando se incita os nossos contemporâneos a 'afirmarem a sua identidade', como tão frequentemente se faz hoje em dia, o que se lhes diz desse modo é que devem reencontrar no seu íntimo esta pretendida pertença fundamental, muitas vezes religiosa ou nacional, racial ou étnica, e brandi-la orgulhosamente na cara dos outros. Quem reivindique uma identidade mais complexa descobre-se marginalizado."

Retirado do livro As Identidades Assassinas
Publicado por Difel
Tradução de Susana Serras Pereira
Lisboa, 2002
2ª edição
176 pp

estrangeirismos

Texto tirado de "Observatório da Imprensa" e escrito por Deonísio da Silva em 8/6/2010 (http://www.observatoriodaimprensa.com.br)


"Em inglês, técnico de futebol é coach e a palavra está presente em expressões como he is a slow coach – equivalente, no português, a "ele é devagar", "demora a compreender", "é tapadão". Mas por que coach, que significou originalmente apenas coche, carruagem, e ainda significa, veio a designar o técnico de futebol?

No húngaro, onde a palavra surgiu, era kocsi szekér, carro de Kócs, cidadezinha no Norte da Hungria, onde esses veículos foram fabricados pela primeira vez. Quando o filho de Matthias Corvinus (século 15), o mais popular dos reis húngaros, apelidado o Justo, casou-se com uma duquesa de Milão, a palavra espalhou-se por toda a Europa.

No alemão, foi escrito originalmente Kotsche, coche, carruagem, diligência (no alemão atual é Kutsche e deve ser escrito sempre com a inicial maiúscula por se tratar de substantivo). Dali foi para o holandês ets, para o polonês kocz etc. Espanhóis e portugueses escrevem coche, embora os primeiros pronunciem com um "t" intermediário: "cotche".

O veículo deu nome ao ofício

Foi mais ou menos o que ocorreu com a carruagem feita em Berlim, que os franceses escreveram berline, cujas vidraças laterais permitiam ver quais as pessoas que eram ali conduzidas, ensejando os comentários. Hoje, "estar na berlinda" é ser objeto de comentários.

Como sabem os que têm paixão pela viagem das palavras, seu berço oferece indícios de significados sempiternos, ou então efêmeros, passageiros, às vezes vindo a significar exatamente o contrário do que significaram na origem.

Na cultura inglesa, o treinador vinha para o campo de coach e o veículo que o transportava deu nome a seu ofício. No Brasil, entretanto, apesar de o futebol ter sido trazido pelo inglês Charles Miller, pouco a pouco as denominações foram adaptadas ou substituídas por genéricos do português.

O mais fácil na pronúncia

O goal keeper tornou-se goleiro apenas. Goal, meta, objetivo, tornou-se gol. Back virou beque e depois lateral, tomando o nome da área do campo onde atuava: lateral esquerdo, lateral direito, e mais recentemente os laterais passaram a ser designados alas. Nas primeiras transmissões dos jogos de futebol por rádio ainda eram ouvidos quíper, já aportuguesado, mas também "fau", adaptação do inglês foul, falta.

O jogador de número 5, hoje designado volante, mas não exclusivamente, pois a mania da retranca faz com que os técnicos recuem também o meia-direita, número 8, ou o meia-esquerda, camisa 10, jogando com dois volantes, e o centroavante, camisa 9, teve na origem designações do inglês: center half e center forward. Mas por que volante para o número 5? Há uma lenda a conferir. Entre 1938 e 1943 teria jogado no Flamengo um argentino chamado Carlos Martin Volante. Ele exercia tão bem a função de marcar na intermediária que deu nome à posição.

O inglês football tornou-se futebol no Brasil, dito "futibol" na maioria das regiões, e futebol em outras. Ball tornou-se bola apenas. Juiz e árbitro ainda disputam a denominação, mas chamar "árbitro ladrão" é mais difícil do que "juiz ladrão". A palavra juiz é mais comum, árbitro é mais rara e além do mais é proparoxítona e na língua portuguesa predominam as paraxítonas. Cavalo é mais fácil de dizer. Imagine xingar um zagueiro de "cávalo". É como se, no calor dos trópicos, a indolência, a preguiça ou o simples cansaço fizessem com que buscássemos o mais fácil também na pronúncia."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

pronominais


Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro


Do livro: Pau-brasil
Oswald de Andrade, 1925

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Prêmio Camões 2010

Ferreira Gullar

O Prêmio Camões, criado em 1989 e considerado o mais importante prêmio literário da língua portuguesa, foi atribuído este ano a Ferreira Gullar como reconhecimento ao conjunto da sua obra, dedicada não só à poesia - o centro da sua criação -, mas também ao teatro, ao ensaio, e outros gêneros.

"Quando surge uma idéia, vou para a rua.
Tenho prazer em conceber o poema no meio das pessoas que passam
e nem suspeitam que ali, naquela hora ele está nascendo."

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tipografia: industrialismo & métodos artesanais

Gill Sans

Enquanto - por não querer me adiantar aos editores - não posso comentar livros que revi nos últimos tempos, e que estão no prelo, trago um interessante texto de contracapa da edição da Almedina, Ensaio sobre tipografia, de Eric Gill (1882-1940), designer tipográfico e criador da fonte Gill Sans (a minha preferida...). Objeto irresistível para os aficionados, esta tão bem cuidada edição portuguesa baseia-se na versão fac-similada da editora Lund Humphries, publicada pela primeira vez em 1988.

"O tema deste livro é a Tipografia, e a Tipografia tal como é influenciada pelas condições do ano de 1931. O conflito entre industrialismo & os antigos métodos dos artesãos, que deu origem à confusão do século XIX, está agora a aproximar-se do fim.
Mas embora o industrialismo tenha agora conseguido uma vitória quase total, as artes manuais não estão mortas, & não podem ser radicalmente extintas, porque satisfazem uma necessidade inerente, indestrutível e constante do ser humano.
Os dois mundos podem ver-se, um ao outro, como diferentes e sem recriminações, reconhecendo ambos o que há de bom no outro - o poder do industrialismo, a humanidade do artesanato. Já não há justificação para a confusão de objetivos, incongruência de métodos ou hibridismo na produção; cada um dos mundos pode deixar o outro tranquilo na sua própria esfera.
Que o industrialismo tenha, ou não, 'vindo para ficar' não é questão que nos interesse, mas o artesanato acompanhar-nos-á sempre - como os pobres. E os dois mundos são agora completamente distintos. O trabalho de imitação de 'obras de época' e o comércio do artesanato de imitação estão, por certo, condenados. Os critérios das artes manuais são tão absurdos para a indústria mecanizada como os critérios mecânicos o são para o artesão.
A aplicação destes princípios à feitura de letras e de livros é a matéria principal deste livro."

Ensaio sobre tipografia
Eric Gill
166 pp
Introdução de Luís Ferreira
Tradução de Luís Varela
Revisão científica de Guilhermina Mota
Edições Almedina
Abril de 2003


Outras publicações afins:
Manual tipográfico de Giambattista Bodoni
João Bicker
148 pp
Edições Almedina
2001

A Forma das Letras - um manual de anatomia tipográfica
Maria Ferrand e João Manuel Bicker
66 pp
Edições Almedina
2000


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