quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Escrever é...



«Escrever é tentar saber o que escreveríamos se escrevêssemos.» - Vila-Matas citando Marguerite Yourcenar

«Decidir escrever é penetrar num espaço perigoso, porque se entra num túnel escuro sem fim, porque jamais e chega à satisfação plena, nunca se chega a escrever a obra perfeita ou genial, e isso causa a maior das mágoas. Aprende-se melhor a morrer do que a escrever. E ser-se (…) escritor, quando já se sabe escrever, é converter-se num estranho, num estrangeiro: tens de começar a traduzir-te a ti mesmo. Escrever é fazer-se passar por outro, escrever é deixar de ser escritor ou de quereres parecer-te a Mastroianni para simplesmente escrever, escrever o que simplesmente escreverias se escrevesses.»

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

FIM - fim de semana do livro no porto do Rio





O FIM {Fim de Semana do Livro no Porto} é uma festa do livro no Morro da Conceição, na região portuária do Rio, que incentivará a leitura em todos os formatos disponíveis e compartilhará, em sua primeira edição, nossa riqueza cultural, literária e histórica. Nos basearemos na tríade: livros, digital e a cidade, conversando sobre o passado e o futuro dos livros e do Rio de Janeiro.

Saber mais AQUI

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

notícias sobre a FLIP 2013

Recebi hoje por e-mail a notícia que veio também no blogue da Festa Literária Internacional de Paraty sobre a FLIP 2013, em que o homenageado será o admirável escritor Graciliano Ramos.

 











Então recortei e trouxe para cá o que recebi:



O mesmo blogue traz a lista dos escritores homenageados nas edições anteriores da Flip: Vinicius de Moraes (2003), Guimarães Rosa (2004), Clarice Lispector (2005), Jorge Amado (2006), Nelson Rodrigues (2007), Machado de Assis (2008), Manuel Bandeira (2009), Gilberto Freyre (2010), Oswald de Andrade (2011) e Carlos Drummond de Andrade (2012).

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Primavera dos Livros

 
 
A Primavera dos Livros é a principal vitrine para a exposição da produção das editoras independentes da América Latina. Idealizada pelas próprias editoras, a primeira edição da Primavera dos Livros ocorreu em 2001, no Rio de Janeiro.

O sucesso do evento e a importância desse mercado deram origem, em 2002, à Liga Brasileira de Editoras
(LIBRE), rede independente que trabalha cooperativamente em busca de reflexão e da ação para a ampliação do público leitor, do fortalecimento das empresas editoriais independentes, e da criação de políticas públicas em favor do livro e da leitura. Desde então, a LIBRE, que atualmente reúne mais de 100 editoras de vários pontos do Brasil, promove e realiza o evento, anualmente, no eixo Rio-São Paulo. 


 No Rio, começou ontem a 12ª. edição, que celebra o Rio de Janeiro como patrimônio e plataforma cultural do país. A feira literária apresenta a produção de 100 editoras com mais 10 mil títulos com descontos de até 50%.

 jardins do Museu do Catete, onde ocorre a Feira

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

"o livro está mais vivo do que nunca" (Robert Darnton)


«Aos 73 anos, o escritor, historiador e presidente da biblioteca de Harvard, Robert Darnton, se vê com um novo desafio nas mãos: criar uma gigantesca biblioteca digital no Estados Unidos aberta para todo o mundo.

Na era em que a tecnologia não é mais uma novidade, mas uma facilitação do cotidiano de pessoas de todo o mundo, o livro passa a ter um novo formato; o digital. Nos últimos anos muitos rumores a respeito da extinção do impresso surgem, mas Darnton afirma com precisão que o livro está mais vivo do que nunca. “Os números de publicações estão crescendo”, afirma o pesquisador. “Eu leio livros impressos, prefiro esse tipo. Mas acredito nos livros digitais. O livro não está morto. As pessoas adoram o livro impresso, mas isso não exclui o digital”.

O historiador, que dirige a maior biblioteca universitária do mundo, não recusa o fato de que a tecnologia facilita a vida das pessoas, democratizando também a informação. Mas ele alerta que tudo o que envolve tecnologia conta com empresas que visam lucros: “As grandes empresas poderiam monopolizar por quererem ganhar mais dinheiro”.

O Google, na opinião de Darnton, mostrou a possibilidade dos arquivos digitais para as universidades. E o historiador agora tenta, com ajuda financeiras de fundações privadas, criar a maior biblioteca digital do mundo. “Nós temos a internet e podemos acontecer, e faremos”.

Um dos problemas que Darnton tem enfrentado em sua caminhada ruma ao digital é a monopolização de editoras especializadas. “As editoras controlam o mercado de livros digitais e ganham muito dinheiro com isso”. Elas descobriram o potencial de publicações cientificas e cobram caro por elas. Outra questão que tem sido um problema é o direito autoral. “Maior do que o dinheiro e do que a tecnologia”, segundo Darnton.
Hoje, a biblioteca de Harvard conta com 17 milhões de volumes em 350 línguas. A intenção do presidente é fazer o mesmo com a versão digitalizada, tornando o acesso à informação algo mais acessível a qualquer pessoa. Para esse projeto, Darnton diz que conta com 100 milhões de dólares. “Podemos fazer isso graças às fundações. Elas foram criadas por empresas que ganham muito dinheiro, mas possuem total autonomia”.
Apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti, o Roda Viva contou com os entrevistadores: Beatriz Kushnir (doutora em História pela Unicamp e diretora do arquivo geral da cidade do Rio de Janeiro); Paulo Werneck (editor do caderno Ilustríssima, do jornal Folha de S. Paulo), Lilia Schwarcz (historiadora e antropóloga, professora titular de Antropologia da USP); e Cassiano Elek Machado (jornalista e editor).»

Fonte desta página publicada: TV CULTURA

domingo, 16 de setembro de 2012

Ciclo de Conferências LER

20 de setembro: Eduardo Lourenço
18 de outubro: Nuno Portas
16 de Novembro: Alexandre Quintanilha

No CCB - entrada gratuita
Mais informações em: Blog da revista LER

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

o Kaváfis de Haroldo de Campos

A Cosac Naify lança uma antologia de poemas do poeta Konstantinos Kaváfis (1863-1933), em tradução inédita de Haroldo de Campos (1929-2003)a partir do original grego. Edição bilíngue, o livro é enriquecido com textos do tradutor e do organizador do volume, Trajano Vieira, e com um poema kavafiano, também inédito, de Campos:

O deus abandona Antônio

Quando, pela meia-noite, de improviso ouvires
passar, invisível, um tíasos
com música soberba e cânticos,
a sorte que afinal te abandona, tuas obras
falidas, teus planos de vida
– tudo ilusório – com nênias vãs não lastimes.
Como um bravo que, há muito, já se preparava,
saúda essa Alexandria que te está fugindo.
Não, não te deixes burlar, dizendo: “foi sonho”,
ou: “meus ouvidos me enganaram”;
desdenha essa esperança vã.
Como um bravo que, há muito, já se preparava,
como convém a quem é digno desta pólis,
aproxima-te – não hesites – da janela
e escuta comovido, porém
sem pranto ou prece pusilânime,
como quem frui de um último prazer, os sons,
os soberbos acordes do místico tíasos:
e saúda Alexandria, enquanto a estás perdendo.












Kaváfis


 H. Campos

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mário de Andrade

Mário de Andrade (1893-1945)



Ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"–Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
–Um colar... –Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burgês!...
 
De Paulicéia desvairada (1922)

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