domingo, 15 de abril de 2012
Franz Kafka
Franz Kafka (1883-1924), escritor tcheco de língua alemã, considerado
um dos principais escritores de literatura moderna. Sua obra retrata as
ansiedades e a alienação do homem do século XX.
Um site completo sobre Kafka: AQUI
Um site completo sobre Kafka: AQUI
Foto através da página de Memorable Book Excerpts no Facebook.
sábado, 14 de abril de 2012
Dois filmes sobre Clarice
«‟Eu faço tudo por Clarice.” A frase, dita com sincera paixão, é do norte-americano radicado na Holanda, Benjamin Moser, biógrafo de Clarice Lispector. Depois de lançar em 2009 a biografia Why this World – publicada no Brasil com o título Clarice –, Moser agora está à frente de mais um grande projeto sobre a escritora. Na verdade dois grandes projetos: dois filmes contando a vida de Clarice Lispector. Um documentário e um longa-metragem baseado em sua trajetória.»
Ler toda a matéria e ouvir entrevista com Benjamin Moser: AQUI
o infatigável Gonçalo M. Tavares
«Gonçalo M. Tavares faz parte daquele reduzidíssimo grupo de escritores
que alia uma magnífica prosa a uma estonteante produção de escrita. A
publicação em simultâneo de dois livros do autor não constitui, por
isso, novidade. O que surpreende é a sempre renovada capacidade de,
através da sua escrita, interpelar os leitores. Short Movies e Canções
Mexicanas, os seus dois mais recentes livros, são disso prova.(...)
Short Movies e Canções Mexicanas são antes de mais uma tomada de consciência do prazer do contador de histórias, que em traços sóbrios e contidos (textos há que não ultrapassam a dezena de linhas) nos revelam um mundo marcado pela violência gratuita, por ameaças brutais, por atitudes e acontecimentos absurdos. Cada história capta fragmentos de um quotidiano, suficientemente costumeiro para o reconhecermos como nosso, mas que se distancia quando mediado pela cáustica voz e irónico olhar do contador.»
CANÇÕES MEXICANAS
Relógio D'Água, 96 pp.
SHORT MOVIES
Caminho, 160 pp.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/goncalo-m-tavares-uma-realidade-perturbante=f656836#ixzz1s2JmArLD
Caderno Ípsilon de 27/4/2012. Palavras de Jose Castello, crítico literário brasileiro, Prémio Jabuti com Ribamar, sobre Gonçalo Tavares: «... não tenho dúvidas de que o grande nome da literatura portuguesa hoje é Gonçalo M. Tavares. É um autor muito acima da média, com uma obra radicalmente pessoal, que não se confunde com a de mais ninguém. É, além disso, um homem muito corajoso, pois segue o seu caminho com serenidade, mas sem arrastar os pés de seu destino. Tem uma obra absolutamente singular, que não cessa de me pregar sustos e de me levar a pensar.»
Short Movies e Canções Mexicanas são antes de mais uma tomada de consciência do prazer do contador de histórias, que em traços sóbrios e contidos (textos há que não ultrapassam a dezena de linhas) nos revelam um mundo marcado pela violência gratuita, por ameaças brutais, por atitudes e acontecimentos absurdos. Cada história capta fragmentos de um quotidiano, suficientemente costumeiro para o reconhecermos como nosso, mas que se distancia quando mediado pela cáustica voz e irónico olhar do contador.»
CANÇÕES MEXICANAS
Relógio D'Água, 96 pp.
SHORT MOVIES
Caminho, 160 pp.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/goncalo-m-tavares-uma-realidade-perturbante=f656836#ixzz1s2JmArLD
Caderno Ípsilon de 27/4/2012. Palavras de Jose Castello, crítico literário brasileiro, Prémio Jabuti com Ribamar, sobre Gonçalo Tavares: «... não tenho dúvidas de que o grande nome da literatura portuguesa hoje é Gonçalo M. Tavares. É um autor muito acima da média, com uma obra radicalmente pessoal, que não se confunde com a de mais ninguém. É, além disso, um homem muito corajoso, pois segue o seu caminho com serenidade, mas sem arrastar os pés de seu destino. Tem uma obra absolutamente singular, que não cessa de me pregar sustos e de me levar a pensar.»
ilustrações de Vieira da Silva
O raríssimo livro belamente
ilustrado
pela artista portuguesa
Maria Helena Vieira da Silva,
na década de 40,
quando
esteve exilada no
Rio de Janeiro
entre 1941 e 1947.
Através da página de Valéria Lamego no Facebook.
Biblioteca Digital Mundial
A Biblioteca Digital Mundial disponibiliza na Internet, gratuitamente e em formato multilíngue, importantes fontes provenientes de países e culturas de todo o mundo.
Os principais objetivos da Biblioteca Digital Mundial são:
- Promover a compreensão internacional e intercultural;
- Expandir o volume e a variedade de conteúdo cultural na Internet;
- Fornecer recursos para educadores, acadêmicos e o público em geral;
- Desenvolver capacidades em instituições parceiras, a fim de reduzir a lacuna digital dentro dos e entre os países.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Cadernos de um Caçador
«O leitor talvez já esteja a aborrecer-se com os meus cadernos; vou
consolá-lo: prometo limitar-me aos fragmentos já editados; porém, antes
de nos despedirmos, não posso evitar dizer algumas palavras sobre a
caça.
A caça com espingarda e cão é excelente em si, für sich, como diziam antigamente; imaginemos, no entanto, que o leitor não nasceu com veia de caçador, mas gosta, mesmo assim, da natureza e da liberdade; por isso, não pode deixar de invejar a raça dos caçadores… Oiça.
Sabia, por exemplo, como é delicioso, na Primavera, sair de casa antes de amanhecer? Passamos o umbral… No céu cinzento-escuro cintilam raras estrelas; um ventinho húmido aflui, de vez em quando, numa onda ligeira; ouve-se o sussurro da noite, reservado, incerto; as árvores rumorejam livremente, banhadas em sombras. Agora, põem um tapete dentro da carroça, colocam no fundo dela uma caixa com o samovar. Os cavalos laterais estremecem, bufam e marcam passo com elegância; um par de gansos, acabados de acordar, atravessa silenciosa e vagarosamente o caminho. Por trás da sebe, no jardim, o guarda ressona pacificamente; cada som parece parado no ar imóvel, parado mas sem esmorecer. Sentamo-nos; os cavalos arrancam de imediato, a carroça tamborila… Andamos… passamos a igreja, depois viramos da encosta para a direita, através da barragem… o lago artificial começa a cobrir-se de um ligeiro vapor. Faz um pouco de frio, tapamos a cara com a gola do pacote; mergulhamos em modorra. Os cavalos chapinham sonoramente nos charcos; o cocheiro assobia. Mas já foram feitas cerca de quatro verstás… o horizonte tinge-se de carmesim; nas bétulas, as gralhas de nuca cinzenta acordam e, desajeitadas, voam de um ramo para outro; os pardais chilreiam à beira de medas escuras. O ar clareia, o caminho é mais visível, o céu abre-se, as nuvens branquejam, os campos tingem-se de verde. Nas isbás, as estilhas ardem com chamas vermelhas, por trás dos portões ouvem-se vozes sonolentas. Entretanto, a aurora está a acender-se; já umas faixas douradas se estendem pelo céu, dos barrancos levantam-se vapores; as cotovias desfazem-se num canto sonoro, sopra o vento de madrugada – e o Sol rubro emerge vagarosamente. A luz jorra como um rio; o coração esvoaça no peito que nem uma ave! Frescura, alegria, felicidade! A vista é infinita a toda a volta. Eis uma aldeia por trás do bosque; e ainda outra, mais longe, com uma igreja branca; e uma floresta de bétulas em cima da colina; por trás dela é o pântano, para onde nos dirigimos… Rápido, cavalos, mais rápido! Para frente, a grande trote!… Faltam três verstás, não mais. O Sol levanta-se rapidamente; o céu está limpo… O tempo vai ser óptimo. O gado saiu da aldeia e vem ao nosso encontro. Subimos a encosta… Que vista! O rio serpenteia, estendendo-se por dez verstás, exibindo o seu azul baço através da névoa; por trás dele são os prados de cor verde deslavada; por trás dos prados, as colinas aplanadas; ao longe, os abibes gritam e voam, dando voltas por cima do pântano; através do brilho húmido derramado no ar, o horizonte destaca-se nitidamente… não é como no Verão. O peito respira livremente, os membros movem-se com energia, e todo o corpo, abraçado pelo sopro fresco da Primavera, ganha forças!…»
Tradução e Notas de Nina Guerra e Filipe Guerra
pp. 181-182 da edição portuguesa (Relógio D'Água)
Ver também neste blogue: Em viagem com Turguénev pela Rússia do séc. XIX
Ivan Turguénev – por Ilya Repin

A caça com espingarda e cão é excelente em si, für sich, como diziam antigamente; imaginemos, no entanto, que o leitor não nasceu com veia de caçador, mas gosta, mesmo assim, da natureza e da liberdade; por isso, não pode deixar de invejar a raça dos caçadores… Oiça.
Sabia, por exemplo, como é delicioso, na Primavera, sair de casa antes de amanhecer? Passamos o umbral… No céu cinzento-escuro cintilam raras estrelas; um ventinho húmido aflui, de vez em quando, numa onda ligeira; ouve-se o sussurro da noite, reservado, incerto; as árvores rumorejam livremente, banhadas em sombras. Agora, põem um tapete dentro da carroça, colocam no fundo dela uma caixa com o samovar. Os cavalos laterais estremecem, bufam e marcam passo com elegância; um par de gansos, acabados de acordar, atravessa silenciosa e vagarosamente o caminho. Por trás da sebe, no jardim, o guarda ressona pacificamente; cada som parece parado no ar imóvel, parado mas sem esmorecer. Sentamo-nos; os cavalos arrancam de imediato, a carroça tamborila… Andamos… passamos a igreja, depois viramos da encosta para a direita, através da barragem… o lago artificial começa a cobrir-se de um ligeiro vapor. Faz um pouco de frio, tapamos a cara com a gola do pacote; mergulhamos em modorra. Os cavalos chapinham sonoramente nos charcos; o cocheiro assobia. Mas já foram feitas cerca de quatro verstás… o horizonte tinge-se de carmesim; nas bétulas, as gralhas de nuca cinzenta acordam e, desajeitadas, voam de um ramo para outro; os pardais chilreiam à beira de medas escuras. O ar clareia, o caminho é mais visível, o céu abre-se, as nuvens branquejam, os campos tingem-se de verde. Nas isbás, as estilhas ardem com chamas vermelhas, por trás dos portões ouvem-se vozes sonolentas. Entretanto, a aurora está a acender-se; já umas faixas douradas se estendem pelo céu, dos barrancos levantam-se vapores; as cotovias desfazem-se num canto sonoro, sopra o vento de madrugada – e o Sol rubro emerge vagarosamente. A luz jorra como um rio; o coração esvoaça no peito que nem uma ave! Frescura, alegria, felicidade! A vista é infinita a toda a volta. Eis uma aldeia por trás do bosque; e ainda outra, mais longe, com uma igreja branca; e uma floresta de bétulas em cima da colina; por trás dela é o pântano, para onde nos dirigimos… Rápido, cavalos, mais rápido! Para frente, a grande trote!… Faltam três verstás, não mais. O Sol levanta-se rapidamente; o céu está limpo… O tempo vai ser óptimo. O gado saiu da aldeia e vem ao nosso encontro. Subimos a encosta… Que vista! O rio serpenteia, estendendo-se por dez verstás, exibindo o seu azul baço através da névoa; por trás dele são os prados de cor verde deslavada; por trás dos prados, as colinas aplanadas; ao longe, os abibes gritam e voam, dando voltas por cima do pântano; através do brilho húmido derramado no ar, o horizonte destaca-se nitidamente… não é como no Verão. O peito respira livremente, os membros movem-se com energia, e todo o corpo, abraçado pelo sopro fresco da Primavera, ganha forças!…»
Tradução e Notas de Nina Guerra e Filipe Guerra
pp. 181-182 da edição portuguesa (Relógio D'Água)
Ver também neste blogue: Em viagem com Turguénev pela Rússia do séc. XIX
Ivan Turguénev – por Ilya Repin

Hanna Arendt fala sobre Brecht
Sob o título Homens em tempos sombrios, publicado no Brasil pela
Companhia das Letras, Hanna Arendt escreveu algumas coisas luminosas.
Como esse trecho de seu ensaio sobre Brecht:
«O que importa, uma vez mais, é o céu, o céu que lá estava antes que existisse o homem e lá estará depois que ele se for, de modo que a melhor coisa que pode fazer o homem é amar aquilo que por um breve tempo é seu. Se eu fosse crítica literária, continuaria a comentar o papel absolutamente importante desempenhado pelo céu nos poemas de Brecht, em especial em seus poucos e lindíssimos poemas de amor. (...) Certamente neste mundo não existe o amor eterno, nem mesmo uma fidelidade comum. Não há nada além da intensidade do momento, isto é, a paixão, que é até um pouco mais perecível que o próprio homem.»
«O que importa, uma vez mais, é o céu, o céu que lá estava antes que existisse o homem e lá estará depois que ele se for, de modo que a melhor coisa que pode fazer o homem é amar aquilo que por um breve tempo é seu. Se eu fosse crítica literária, continuaria a comentar o papel absolutamente importante desempenhado pelo céu nos poemas de Brecht, em especial em seus poucos e lindíssimos poemas de amor. (...) Certamente neste mundo não existe o amor eterno, nem mesmo uma fidelidade comum. Não há nada além da intensidade do momento, isto é, a paixão, que é até um pouco mais perecível que o próprio homem.»
Através da página de Carlito Azevedo no Facebook.
Os textos reunidos neste livro são biografias comentadas de homens e mulheres que viveram os «tempos sombrios» da primeira metade do século XX. Mergulhando em mundos internos tão díspares como os de Hermann Broch e João XXIII, Rosa Luxemburgo e Jaspers, Isak Dinesen e Bertold Brecht, Heidegger e Walter Benjamin, Hannah Arendt submete a uma reflexão apaixonada, e por vezes implacável, seus erros e acertos, culpas e vitórias, responsabilidades e irresponsabilidades perante a realidade que enfrentaram.
A beleza destes relatos reside na sólida crença arendtiana na solidariedade e dignidade humanas, valores morais ainda capazes de impedir o triunfo do niilismo e do totalitarismo numa época de experiências catastróficas. Companhia das Letras
Os textos reunidos neste livro são biografias comentadas de homens e mulheres que viveram os «tempos sombrios» da primeira metade do século XX. Mergulhando em mundos internos tão díspares como os de Hermann Broch e João XXIII, Rosa Luxemburgo e Jaspers, Isak Dinesen e Bertold Brecht, Heidegger e Walter Benjamin, Hannah Arendt submete a uma reflexão apaixonada, e por vezes implacável, seus erros e acertos, culpas e vitórias, responsabilidades e irresponsabilidades perante a realidade que enfrentaram.
A beleza destes relatos reside na sólida crença arendtiana na solidariedade e dignidade humanas, valores morais ainda capazes de impedir o triunfo do niilismo e do totalitarismo numa época de experiências catastróficas. Companhia das Letras
quinta-feira, 12 de abril de 2012
editoras brasileiras x Amazon
«Aí está algo que editoras americanas não conseguiram, e que fica como
mérito de editoras brasileiras. A notícia saiu no jornal Valor
Econômico:
“Neste formato, chamado de distribuição, é a própria Amazon que define o preço que será cobrado do consumidor, sem intervenção das editoras. Este valor normalmente é cerca de 50% menor que o preço do livro físico. No Brasil, no entanto, a política de precificação não emplacou.”»
«“As lojas físicas são importantes para as editoras, são uma espécie de showroom para os livros impressos. Não queremos que esta negociação desestabilize o varejo brasileiro”»
Ver mais em http://revolucaoebook.com.br/editoras-brasileiras-dobram-amazon-provocam-mudancas-contrato/
“Neste formato, chamado de distribuição, é a própria Amazon que define o preço que será cobrado do consumidor, sem intervenção das editoras. Este valor normalmente é cerca de 50% menor que o preço do livro físico. No Brasil, no entanto, a política de precificação não emplacou.”»
«“As lojas físicas são importantes para as editoras, são uma espécie de showroom para os livros impressos. Não queremos que esta negociação desestabilize o varejo brasileiro”»
Ver mais em http://revolucaoebook.com.br/editoras-brasileiras-dobram-amazon-provocam-mudancas-contrato/
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