sexta-feira, 2 de março de 2012

10 conselhos de Carlos Drummond de Andrade a um escritor iniciante

Trechos da crônica A um jovem, publicada em A bolsa e a vida (1962):


1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.

2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.

3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.

4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.

5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.

6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.

7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.

8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.

9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganhá-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.

10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Clarabóia", de José Saramago



Apresenta-se amanhã em Madrid, na Casa de América, a edição em castel­hano de “Claraboia”, com tradução de Pilar del Río, numa edição Alfaguara.
Para assi­nalar a data foi hoje apre­sen­tado um vídeo sobre o livro, que conta com a par­tic­i­pação de Pilar del Río, do escritor Gonçalo M. Tavares, do edi­tor por­tuguês Zeferino Coelho, Ánge­les Mas­tretta, Clau­dia Piñeiro e do escritor Héc­tor Abad Faciolince.

(Notícia do blogue CIBERESCRITAS em 29/02.)

Para ler sobre este livro de Saramago, baixar gratuitamente o ficheiro da revista Lucerna, através do site da Fundação José Saramago: AQUI

Rubem Fonseca - o que é o escritor?



"Não existem sinónimos! Essa coisa de sinónimo é conversa mole pra boi dormir!"

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Clarice responde


Qual o livro nacional ou estrangeiro que lhe tenha deixado maior impressão?

Esta é uma pergunta difícil... porque eu sempre passo épocas em que tal ou qual livro me impressiona. Depois o esqueço e outro toma o seu lugar. Às vezes o que me agrada num livro é o "tom", o plano em que o autor se move.
E se em outro livro o autor muda o "tom", eu perco o interesse. É um estado d'alma.

Quais os melhores livros da literatura universal, na sua opinião?

Humilhados e Ofendidos, Crime e Castigo, de Dostoievski, Sem Olhos em Gaza, do
Huxley, Mediterrâneo, de Panait Istrati e as obras de Anatole France em geral.
Mas isto é só do que já li.


Foto e texto, e mais sobre a entrevista, no blog http://viledesm.blogspot.com/2011/12/clarice-uma-arqueologia.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CBL investe R$ 197 mil no CANAL

"Um projeto da Câmara Brasileira do Livro (CBL) que começou a ser desenhado há cerca de dois anos começa a sair do papel agora, com o objetivo de instituir um novo padrão de cadastramento para todos os livros publicados no Brasil, como já acontece em outros países. A promessa é que, a partir dessa iniciativa, as editoras passem a atualizar informações completas sobre seus catálogos seguindo as mesmas diretrizes e disponibilizando os dados de forma eletrônica e instantânea a todos os interessados: canais de venda, bibliotecas, leitores etc. Em resumo, a ideia é fazer com que o mercado editorial tenha acesso a informações atuais e precisas, de maneira mais prática e eficiente do que acontece hoje."

Ler o artigo completo em: CBL investe R$ 197 mil no CANAL | Publishnews | Notícias


Ver também: http://www.cbl.org.br/canal/


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

"língua materna"

«Aprendi italiano depois do inglês, do francês e do alemão, as minhas três línguas de infância. A minha mãe começava uma frase num idioma e acabava-a noutro, sem reparar. Não tive língua materna, mas, ao contrário do que se diz, isso é bastante comum. Na Suécia, fala-se finlandês e sueco; na Malásia, falam três línguas. Essa ideia de uma língua materna é uma ideia muito nacionalista e romântica.»

George Steiner

através do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa: http://www.ciberduvidas.com

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Eu gosto de ler livros

"Eu gosto de ler livros. Parece besta e óbvio usar uma frase dessas para inaugurar um blog sobre livros. Mas é coisa comum encontrar por aí quem vive de livros mas nunca os lê.

Eu gosto de ler livros desde os três, quatro anos. Minha mãe, ex-professora do antigo primário, tem o hábito extravagante de alfabetizar crianças cedo demais. Fez isso com meu irmão antes de mim e agora com meu sobrinho, que completou cinco –“Tiago já está lendo tudo!”, ela me disse ao telefone, e repetiu três vezes.

Eu gosto de ler livros pois certo dia meu pai chegou em casa com um volume que me pareceu colossal: “A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água”. Achei ingenuamente que o tal homem que renascia era um tipo de herói, desses de epopeia grega. Foi o primeiro livro de adultos que tentei ler a sério e desde então me acompanha sua frase mais conhecida, a de Quincas no cais antes de cair no mar: Cada qual cuide de seu enterro, impossível não há.

Eu gosto de ler livros e por isso, com sorte, fui trabalhar com eles. Aos 17 anos, fiz a primeira resenha no susto. Um professor da faculdade era também editor do suplemento literário. Flori me entregou o embrulho e disse – “ó, duas laudas, para segunda. Se não me trouxer, ponho um calhau e digo que a culpa é sua.” [calhau, no jargão da redação, é algo que se arranja às pressas para tapar o buraco de um texto que não chegou.]

Escrevi sobre livros no meu começo no jornalismo. Mas depois fui trabalhar com assuntos internacionais e economia. Quando achei que nunca mais faria algo com eles, me tornei editora-assistente e depois editora de uma revista de livros.

Cada qual cuide de seu enterro, impossível não há. Gostava muito do finzinho, “impossível não há”, que funciona como incentivo para tentar alguma coisa bastante difícil. Até brincava de dizer o trecho para uma amiga, que o retribuia –ela também adorava a frase desde criança por causa do pai.

Só muitos, muitos anos depois, e passadas várias mortes, minhas e dos outros, entendi que a melhor parte é, caramba, a primeira. “Cada qual cuide de seu enterro”. A linda novelinha, mais tarde fui entender, me dizia com sua metáfora baiano-barroca que a cada um cabe cuidar da própria vida (a própria vida, não a dos outros!) e que, cuidando de viver, não se morre. Não era um heroi, muito menos de epopeia, mas Quincas, morto-vivo e beberrão, me fez gostar de ler livros.

Este blog vai tratar de livros, sejam físicos, digitais, líquidos ou gasosos. E também de editoras, livrarias, prêmios e festas literárias. Para quem lia já o meu “Painel das Letras”, será bastante parecido, quem sabe até um pouco melhor, assim espero e conto com você, leitor."


do blogue Livros Etc, de Josélia Aguiar, no jornal Folha De S. Paulo: http://livrosetc.blogfolha.uol.com.br/2012/02/10/cada-qual-cuide-do-seu-enterro/

imagens e autores que ficam: Drummond, Rosa e Bandeira eternos

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