sexta-feira, 12 de março de 2010
o texto visto de perto
(esta imagem foi retirada do Blogtailors de 10 de Março a comentar uma nova edição de Finnegan's Wake)
segunda-feira, 8 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
o Rio de Ruy Castro e de todos nós

Há livros assim. Não sei se são eles desiguais ou eu, mas o facto é que somente agora estou a terminar de ler Rio de Janeiro - Carnaval de fogo, em edição da ASA. Aproveito para alimentar o meu imaginário fervilhante de recordações e saudades da minha cidade com esta crónica generosa de Ruy Castro.
Daí fico a saber que houve quem quisesse desmontar o Pão de Açúcar para arejar a cidade - o que realmente foi feito com os morros do Castelo e de Santo António -, e mais uns tantos absurdos saídos das penas e papeis de arquitetos (ou menos que isso). Até mesmo Le Corbusier apresentou um projecto urbanístico que previa a construção de viaduto desde o centro da cidade até ao Leblon, pelo litoral! - bem, sem comentários...
Desigualdades ou intermitências à parte, é um livro imperdível para cariocas ou somente para apaixonados pelo Rio. Ou então para os que simplesmente gostam das histórias de uma cidade - e em 500 anos, ali houve muitas.

o "projeto" de Le Corbusier, o racionalismo levado a um extremo que poderia ter violentado a cidade...Rio de Janeiro - Carnaval de Fogo
Ruy Castro
290 pp
Colecção O Escritor e a Cidade
Edições ASA
Julho de 2006, Lisboa
sábado, 27 de fevereiro de 2010
design editorial
Capa: bandeira da Festa de Santa HelenaProjeto à espera de publicação - o admirável trabalho da fotógrafa Consuelo Abreu não merece menos do que isso.
Título: os dias santos de Minas Gerais
Fotografia: Consuelo Abreu
Edição e design gráfico: Ana Lúcia Parga
Textos: Guimarães Rosa e Adélia Prado (fontes citadas no projeto)
Formato: 24 x 24 cm
44 pp
Projeto editorial de conclusão do curso de design gráfico da ETIC.
Algumas páginas da maquete:


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
"The streets were dark with something more than night." Raymond Chandler


Letra e Música
272 pp
Oceanos
Lisboa, Novembro de 2008
...........................
Fora de Horas
264 ppOceanos
Lisboa, Novembro de 2008
...........................
Fora de Horas
Oceanos
Lisboa, Fevereiro de 2009
Na leitura de ambos os livros de Paulo Castilho, encontrei um estilo de que gosto muito: directo, coloquial, com finas camadas de ironia. São livros que dialogam com o leitor de forma inteligente e lúcida.
Cito um texto da contracapa de Fora de Horas: "Aparentemente a estação de caminho-de-ferro do Union Pacific está ainda intacta, tal como descrita em Playback. Estação que eu tinha visitado em filmes sem conta. Mas faltava em tudo aquilo qualquer coisa de essencial. Demasiada luz. Uma inundação de claridade. Era isso. Faltava a noite. Faltavam as sombras. Faltava a chuvada negra do Big Sleep. Faltava a face obscura com que os homens contagiam as cidades que povoam. Faltava a lucidez gelada da escuridão. Faltava também o Humphrey Bogart. Faltava a Lauren Bacall.
Eventualmente faltaremos todos. Permanecendo, porém, como deuses imortais, os sítios para continuarem a prestar o seu indiferente testemunho de silêncio."
Acordo: sim ou não?
Tenho procurado manter aqui o português de antes do Acordo - opção da grande maioria dos editores portugueses e não só.
Por outro lado, sei de autores portugueses que já aderiram ao Acordo.
E mais: as novas normas terão de vingar mais cedo ou mais tarde, independentemente das preferências pessoais.
Em resumo: este blog está indeciso, mas não deveria manter a indecisão por muito tempo...
Por outro lado, sei de autores portugueses que já aderiram ao Acordo.
E mais: as novas normas terão de vingar mais cedo ou mais tarde, independentemente das preferências pessoais.
Em resumo: este blog está indeciso, mas não deveria manter a indecisão por muito tempo...
revelação

Dulce Maria Cardoso
Prémio da União Europeia para a Literatura 2009
com o livro Os Meus Sentimentos
É uma noite de temporal. A noite do acidente. Há uma gota de água suspensa num estilhaço de vidro que teima em não cair.
Há um instante que se eterniza. Reflectida na gota, Violeta mergulha nessa eternidade e recorda o que pode ter sido o
último dia da sua vida, e nesse dia, toda a vida, e nessa vida,
os pais, a filha, a criada, o bastardo, e em todos, a urgência da vida que prossegue indiferente como estrada de onde ainda
agora se despistou. Nessa posição instável, de cabeça para baixo, presa pelo cinto de segurança, parece que tudo se desamarra.
O presente perde a opacidade com que o quotidiano o resguarda e Violeta afunda-se nos passados de que é feita, uma espiral alucinada de transparências e ecos. (...) Para onde foi o futuro?
(da badana de Os Meus Sentimentos)
Os Meus Sentimentos
Perturbadores e belíssimos, os romances de Dulce Maria Cardoso criam personagens inesquecíveis enredadas em vidas que nos emocionam tanto quanto nos permitem olhar o mundo de uma forma atenta, inteligente e muitas vezes inesperada.com o livro Os Meus Sentimentos
É uma noite de temporal. A noite do acidente. Há uma gota de água suspensa num estilhaço de vidro que teima em não cair.
Há um instante que se eterniza. Reflectida na gota, Violeta mergulha nessa eternidade e recorda o que pode ter sido o
último dia da sua vida, e nesse dia, toda a vida, e nessa vida,
os pais, a filha, a criada, o bastardo, e em todos, a urgência da vida que prossegue indiferente como estrada de onde ainda
agora se despistou. Nessa posição instável, de cabeça para baixo, presa pelo cinto de segurança, parece que tudo se desamarra.
O presente perde a opacidade com que o quotidiano o resguarda e Violeta afunda-se nos passados de que é feita, uma espiral alucinada de transparências e ecos. (...) Para onde foi o futuro?
(da badana de Os Meus Sentimentos)
Os Meus Sentimentos
312 pp
Edições ASA
Lisboa, Agosto de 2009
Edições ASA
Lisboa, Agosto de 2009
(da contracapa de O Chão dos Pardais)
O Chão dos Pardais
224 pp
Edições ASA
Lisboa, Outubro de 2009
Edições ASA
Lisboa, Outubro de 2009
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Kundera
... os seus saltos soando no passeio fazem-me pensar nos caminhos que não percorri e que se dividem como ramos de uma árvore. Você despertou em mim a obsessão da minha primeira juventude: imaginava a vida à minha frente como uma árvore. Chamava-lhe então a árvore das possibilidades. Só durante curtos momentos se vê a vida assim. Depois ela surge como uma estrada imposta de uma vez para sempre, como um túnel donde não se pode sair. Contudo, o antigo aparecimento da árvore permanece em nós sob a forma de uma indelével nostalgia. Você recordou-me essa árvore, e, em troca, quero transmitir-lhe a imagem dela, fazer-lhe ouvir o seu murmúrio feiticeiro.
Do livro A Identidade, de Milan Kundera
54 pp
Edições Asa
Do livro A Identidade, de Milan Kundera
54 pp
Edições Asa
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